Este Brasil é mesmo um país de contrastes e surpresas. Miscigenado e girando fora do eixo, temos que ver aberrações abruptas e sem nexo, principalmente na política, comandada pelo judiciário que está fazendo o papel de parlamentarismo fajuto, onde não há mais a necessidade de critérios plausíveis da honra e do respeito.
Recentemente, uma pesquisa sobre a eleição da deputada Ana Elisa, de Minas Gerais, parlamentares resgataram supostas postagens antigas da eleita do PT, que disse: “odeio branco" e "tô nem aí para empreendedor", eventualmente acompanhadas de risadas e palavrões, em tom descontraído. Ana Elisa se manifestou e rebateu o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), que ironizou uma das supostas publicações.
— Vou mandar pro TSE (Tribunal Superior Eleitoral), porque fake news é crime eleitoral.
Precisamos suspender sua diplomação e de todos que estão publicando esse tipo de conteúdo — disse a petista sem saber o significado de suas palavras. A influenciadora mineira recebeu 524.216 votos e terminou a eleição em segundo lugar entre os candidatos a deputado federal em Minas Gerais, atrás apenas de Nikolas.
O resultado também fez dela a mulher mais votada da história do estado para a Câmara e a deputada federal mais jovem já eleita no país. Criadora de conteúdo nas redes sociais, com 3,2 milhões de seguidores no Instagram, ela assumirá o mandato em fevereiro de 2027.
Lula convoca nova geração
Ana Elisa está entre os jovens convocados pelo PT para reverter a campanha digital de Lula, após o presidente aparecer atrás do senador Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno. Uma reunião de Lula com uma nova geração de parlamentares da esquerda ocorreu na quarta-feira.
Militantes e apoiadores de Lula têm feito críticas ao longa da campanha nas redes socais, com reclamações sobre a lentidão para reagir ao adversário, a linguagem usada nas publicações e a dificuldade de fazer conteúdos favoráveis ao presidente circularem para além das páginas oficiais.
Participantes do encontro afirmam que parte da ala mais radical do partido ainda está concentrada na defesa do legado dos governos petistas e das realizações acumuladas por Lula. Entre os mais jovens, porém, houve a percepção de que esse discurso, sozinho, não é suficiente para conquistar os votos necessários no segundo turno.
A cobrança foi por uma campanha capaz de apresentar propostas para o futuro e se comunicar de forma mais direta com eleitores que hoje não estão mobilizados pelo presidente.
Menção de ódio
As mensagens que a deputada eleita escreveu incluem desprezo sobre igrejas evangélicas, católicos, pessoas brancas e empreendedores, divulgados por apoiadores de Jair Bolsonaro e pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). A repercussão ganhou força depois que Nikolas Ferreira compartilhou um suposto print de uma publicação atribuída a Ana Elisa, na qual ela pediria a Lula que fechasse igrejas. Na postagem, o deputado escreveu: “já virei voto demais com isso aqui”.
Outras capturas de tela atribuídas à petista também passaram a circular nas redes sociais. Entre elas, há mensagens com críticas a pessoas brancas, empreendedores e integrantes de diferentes religiões, além de comentários sobre aborto, redes sociais e decisões do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

A maior parte do racismo parte dos negros
"E o garotão de Brasília já começou a se incomodar com o fato do crescimento da campanha do presidente Lula. Já pensou se nós não estivéssemos trabalhando", disse em vídeo publicado nas redes sociais.
“Vou mandar pro Tribunal Superior Eleitoral, porque fake news é crime eleitoral. Nós precisamos suspender a sua diplomação e de todos aqueles que estão republicando este tipo de conteúdo”, só não falou das mentiras do PT.
Uma das publicações atribuídas a ela, datada de 21 de dezembro de 2024, contém críticas a empresários e ao tratamento dado ao setor privado pelo governo Lula. O texto reproduzido na imagem diz:
“Tô nem aí pra empreendedor, empresário é essa cralhada toda, governo Bolsonaro não tava nem aí pra nós os subservientes; pq q o do Lula tem que lamber esse povo? Que se fdam da mesma forma que a gente se fudeu no governo passado”. – “Isso é ´postura de uma recém eleita?”
Outro print, supostamente publicado em 2023, traz uma mensagem sobre a possibilidade de o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, bloquear redes sociais:
“Pois eu já não vejo a hora do Xandão bloquear, Instagram, Facebook, e WhatsApp, por favor, TORNE REAL!” – “E como foi que ela se elegeu?”
Também circulam imagens de publicações atribuídas à petista com críticas ao catolicismo e aos padres que utilizam redes sociais. Uma delas, supostamente publicada em 26 de janeiro de 2024, afirma: “Não é o catolicismo que é intolerante amg, são os membros do catolicismo, a religião não tem nada do que eles dizem, só pregam errado”.
Em outra mensagem, que teria sido publicada em 25 de abril de 2026, aparece o seguinte texto: “Eu só quero saber quando o Vaticano vai PROIBIR padre de ter rede social? Não casar é o de menos, eles precisam começar a focar no que realmente importa, tipo os fiéis".
Há ainda um print atribuído a Ana Elisa com a frase “Se gravidez fosse bom, algum deputado já havia proibido”, supostamente publicada em março de 2026, e outro em que ela critica pessoas que apoiam a direita após assistir ao filme 'Ainda Estou Aqui'. Até o momento, a autenticidade dessas mensagens não foi estabelecida a partir das informações disponíveis na rede social.
O que Nikolas Ferreira disse sobre os prints?
Nikolas compartilhou o suposto post sobre o fechamento de igrejas e afirmou que o conteúdo já o teria ajudado a conquistar votos. A publicação provocou uma reação de Ana Elisa, que contestou a autoria da mensagem e anunciou que levaria o caso à Justiça Eleitoral.
Por que o caso ganhou repercussão durante a campanha?
Ana Elisa passou a integrar a estratégia de comunicação digital do PT para o segundo turno da eleição presidencial, disputado entre Lula e Flávio Bolsonaro (PL). A participação da deputada eleita nas redes sociais ocorreu após críticas de militantes e apoiadores do presidente à atuação digital da campanha.
Lula se reuniu com uma nova geração de parlamentares da esquerda para discutir a comunicação eleitoral. Entre as preocupações apontadas por integrantes do grupo estavam a demora para responder aos adversários, a linguagem utilizada nas publicações e a dificuldade de fazer conteúdos favoráveis ao presidente alcançarem públicos além das páginas oficiais.
Membros da campanha de Lula se incomodaram com mensagens antigas de Ana Elisa sobre temas como evangélicos, aborto e restrição da internet. Dias após ser alçada à condição de consultora de Lula para as redes sociais, a deputada federal eleita virou alvo de integrantes da coordenação da campanha do atual presidente da República.
Nos bastidores, caciques petistas demonstraram incômodo com postagens antigas da jovem sobre igrejas e aborto que passaram a ser exploradas por lideranças da direita como forma de atacar Lula na campanha. O temor é de que o episódio afete diretamente a imagem de Lula, agora associada à de Ana Elisa, e ajude Flávio Bolsonaro (PL) a ampliar ainda mais sua vantagem no segundo turno da eleição presidencial.
A campanha já identificou uma forte reação do eleitorado às mensagens que circulam nas redes. Aliados de Lula disseram que chegaram a pedir que a parlamentar fechasse suas redes sociais, o que de fato aconteceu.