O comportamento dos prepostos da Globo não foi desagradável
A entrevista de Lula ao Jornal Nacional chamou atenção por vários motivos. Mas, nas redes sociais, um detalhe acabou dominando parte dos comentários. Os sorrisos de Renata Vasconcellos durante a sabatina. O chefe do Executivo Nacional Lula Paca da Silva foi entrevistado quinta-feira pelos jornalistas César Tralli e Renata Vasconcellos, em uma participação que rapidamente gerou grande repercussão nas redes sociais.
Entre as declarações do “Rapaz” e os temas abordados durante a entrevista, muitos usuários passaram a destacar a expressão da apresentadora em determinados momentos da conversa.
VÍDEO AS MENTIRAS DO EX-PRESIDIÁRIO
Os comentários se multiplicaram.
Para parte do público, os sorrisos foram interpretados como uma demonstração de simpatia em relação ao descondenado. Mas é importante separar uma coisa da outra. Uma expressão facial, por si só, não comprova preferência política.
Renata Vasconcellos não declarou apoio a Lula durante a entrevista, e não há como afirmar, apenas pela análise de imagens, que seus sorrisos representavam concordância política. Ainda assim, a repercussão revela algo importante. Em uma eleição cada vez mais polarizada, cada gesto é observado.
Uma pergunta. Um tom de voz. Uma interrupção. Um olhar. Um sorriso. Tudo passa a ser interpretado pelo público. E a televisão, especialmente em uma sabatina presidencial, continua sendo um espaço de enorme peso político. Por isso, jornalistas precisam compreender que a percepção de imparcialidade também faz parte da credibilidade.
Não basta ser imparcial.
É preciso transmitir ao público a segurança de que o entrevistado será tratado com o mesmo rigor, independentemente do partido, da ideologia ou do candidato. A crítica do público, portanto, não deve ser ignorada.
Mas também não pode ultrapassar os fatos. É legítimo analisar a postura de entrevistadores e discutir a percepção causada pela entrevista. O que não é legítimo é transformar uma interpretação das redes sociais em prova de preferência política. A questão que permanece é simples:
Se os espectadores interpretaram determinados momentos como uma demonstração de simpatia, a percepção pública de imparcialidade foi preservada da melhor maneira possível? Essa é uma pergunta legítima.Porque, em tempos de desconfiança crescente na imprensa, cada detalhe conta. E a credibilidade de uma entrevista não depende apenas das perguntas feitas. Depende também da confiança do público em quem está fazendo as perguntas.