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O grande Chico Anísio, de saudosa memória, em uma das suas “tiradas”, disse que em uma das suas aparições, saiu-se com essa pérola. Aprendi com o meu povo que quando a coisa está muito séria, o melhor que se pode fazer é brincar com ela. E aprendi a desenhar o país dos meus sonhos.
Um país onde todo lavrador tem um par de bois para puxar o arado, e quando voltar para casa de tarde encontre um par de filhos o esperando, e de noite ao deitar tem um par de pernas para amar.
Eu aprendi que todo pobre no país dos meus sonhos terá uma casa para morar e terá o que comer, os hospitais terão remédios, as escolas terão alunos, os professores receberão salários decentes, os policiais apenas prenderão os bandidos e não os ajudarão a roubar.
E os bandidos vão aprender que a grande esperteza é ser honesto, porque na cadeia só tem esperto, tudo que é trouxa está aqui fora, em liberdade. No país dos meus sonhos, todo cego vai ver, todo surdo vai ouvir, e todo mudo vai ver e ouvir coisas tão lindas que nem vai ser preciso dizer nada.
No país dos meus sonhos, os homens brancos vão ver que o coração do preto é do tamanho do seu, e o sangue é da mesma cor. O país dos meus sonhos um dia terá uma integração tão grande entre o homem e a natureza, que até imagino uma árvore falando para um homem, eu gostaria de me transformar na mesa da sua casa, nas cadeiras onde sua família senta, ou no berço do seu filho.
No país dos meus sonhos, Deus será o mesmo para todas as religiões, e elas todas viverão amistosamente, porque não haverá nenhuma religião se sentindo melhor do que as outras, porque Deus é de todos, e até porque Deus não tem religião.
O país dos meus sonhos um dia vai existir, e ele será tão feliz que nem vai precisar de mim para fazer rir um pouco. Não faz mal, eu perco o emprego, mas não perco o sonho.