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Carta à direita brasileira

Lier Pires Ferreira.
PhD em Direito. Professor do Ibmec e do CP2. Pesquisador do LEPDESP

30/07/2021

 

Na virada dos anos 1930, a Alemanha estava economicamente arrasada e humilhada pelo Tratado de Versalhes. Também estava descontente com a democracia. Para muitos, era necessário mudar. Nesse cenário, industriais, banqueiros, comerciantes, militares, camadas médias e outros atores, assustados com o espectro do comunismo, cerraram fileira com políticos de centro e centro-direita para levar Hitler ao poder.

Guardadas as devidas proporções, este foi o cenário da ascensão de Bolsonaro. Em 2018, a economia decrescia e o país estava insatisfeito com a democracia. As desilusões com o lulopetismo e um anticomunismo anacrônico também compuseram o cenário que levou à ascensão do Messias, igualmente suportado por industriais, banqueiros, comerciantes, militares, camadas médias e outros atores de centro e centro-direita, que, assustados, também entendiam que era necessário mudar.

Bolsonaro não é Hitler, mas é certo que o bolsonarismo e o nazismo pertencem àquilo que Umberto Eco denominou “fascismo” histórico. Trata-se de uma perspectiva político-ideológica que, dentre outras características, propaga um culto simplista à tradição e ao nacionalismo, rejeita a modernidade, criminaliza as diferenças, fixa adversários como inimigos, idealiza o machismo e pratica diferentes formas de violência política, atacando a democracia e suas instituições. Regimes dessa natureza existem hoje em diferentes partes do mundo. O Chile de S. Piñera, a Hungria de V. Orbán, a Polônia de M. Morawiecki e a Turquia de R. Erdogan são países nos quais o “fascismo histórico” chegou ao poder.

Mas é importante dizer que direita e centro-direita não são sinônimos de “fascismo”, qualquer que seja sua expressão. Como social-democrata, não sou fã de Denis Rosenfield ou L.F. Pondé, mas admiro suas produções acadêmicas. Não sigo jornalistas como Leandro Narloch, Reinaldo Azevedo ou Rodrigo Constantino, mas respeito suas posições. O mesmo ocorre em relação a políticos como Kim Kataguiri ou Rodrigo Maia. Itamar Franco e FHC encabeçaram governos de centro-direita. Collor era de direita. A democracia é assim.

Só não é possível tolerar o mal. Não é possível legitimar o discurso de ódio e as fake news das falanges digitais bolsonaristas. Não é possível tolerar o genocídio indígena, o chacinamento de negros e pobres, o desrespeito às comunidades LGBTQIA+, o ódio aos movimentos sociais. Também não é possível admitir a destruição da educação, da ciência e da cultura, o negacionismo científico, a corrupção e o fisiologismo político. Não se pode compactuar com o milicianismo, o justiciamento ou o cancelamento de opositores nas redes sociais. Igualmente insano é sacralizar o mercado, destruir o meio-ambiente e cooptar polícias e forças armadas para um projeto oco de poder. Também não é possível agredir as instituições democráticas, diluir a democracia e arrastar o país para uma nova experiência autoritária, violenta, que irá ceifar vidas, destruir esperanças e causar dor, muita dor.

Basta! A reunião de Bolsonaro com a deputada neonazista Beatrix von Storch foi mais um evento intolerável, ao qual se somam o acolhimento de integralistas no PTB de Roberto Jefferson e o ataque insano do capitão-presidente contra as urnas eletrônicas em cadeia nacional de rádio e TV. Não é mais uma questão de direita ou esquerda, é uma questão civilizacional. Se as forças democráticas não se unirem para afastar Bolsonaro, os quase 600.000 brasileiros mortos pela necropolítica sanitária do Planalto serão apenas o prenúncio da imensa dor e do sofrimento que somente as grandes convulsões sociopolíticas podem causar. A construção da democracia é uma tarefa que também cabe à direita.




 







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