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Brasil em chamas

30/09/2020

Lier Pires Ferreira
Professor do Ibmec e do CP2. Pesquisador do Lepdesp/Uerj.

Em sua versão mais popular, Johnny Storm, o Tocha Humana, foi criado nos anos 1960 por Stan Lee e Jack Kirby. Aproveitando o sucesso pretérito de uma personagem homônima, concebida nos anos 1930, Lee e Kirby (re)criaram um herói ficcional que possui o poder de converter sua forma humana em um corpo orgânico flamejante. Ao fazê-lo, tornando-se capaz de voar e lanças chamas devastadoras, o Tocha Humana costuma utilizar a expressão simbólica “Em chamas!”.

O Brasil contemporâneo também está em chamas. No rastro da miopia devastadora que caracteriza importantes autoridades nacionais, a começar pelo presidente Jair Bolsonaro, o Brasil vê arder um dos seus biomas mais importantes: o Cerrado. Acossados pelos setores mais atrasados do agronegócio e pelo capitalismo predatório que emana do Palácio do Planalto, barbatimões, copaíbas, ipês, angicos e jatobás, além de gambás, ariranhas, tamanduás, tucanos, guarás, veados, serpentes e muitos outros exemplares da flora e da fauna brasileira estão sendo sumariamente incinerados. Nessa grande fornalha, também ardem incontáveis micro-organismos, seres humanos e a própria dignidade nacional.

Em meio à confusão reinante, Ricardo Salles age como um hipotético “assessor” de Nero, “jogando lenha na fogueira” e fazendo “passar a boiada” da devastação ambiental. Sim! O ministro a quem incumbe materializar a tutela constitucional do meio-natural é mais uma autoridade a agir criminosamente contra a biodiversidade brasileira.

Ao longo de seu triste ministério, Salles já deu inúmeras declarações que sugerem a complacência governamental em favor de garimpeiros, madeireiros, produtores rurais e muitos outros agentes econômicos que, agindo ilegalmente, agridem a natureza. Ao mesmo tempo, reduziu o apoio à agricultura familiar, deslegitimou opositores, restringiu a ação de órgãos de fiscalização e silenciou autoridades do segundo e terceiro escalões que se contrapuseram à sua política predatória. Inerte no combate às chamam que ardem no Cerrado, dentre suas medidas anti-ambientais mais recentes estão a retirada da proteção aos manguezais e a fusão entre os Institutos Chico Mendes e Ibama.

A devastação do Cerrado é apenas uma das tragédias ambientais do Brasil, cuja política de agressão sistemática ao meio-natural também devasta a Amazônia, extermina os últimos resquícios da Mata-Atlântica e impacta duramente outros biomas. Trata-se de uma política criminosa, que afeta duramente a defesa e a segurança nacionais, solapa a imagem do país no exterior, retira investimentos estrangeiros e fecha mercados para os produtos primários brasileiros, muitos dos quais duramente produzidos em consonância à legislação.

O Brasil vive um verdadeiro holocausto ambiental. Se nas histórias em quadrinhos Johnny Storm utiliza suas chamas para proteger a Terra e seus habitantes, o bizarro Messias brasileiro e seu demoníaco escudeiro utilizam suas prerrogativas constitucionais para queimar o patrimônio vivo da nação aos olhos inertes dos poderes constituídos e de uma sociedade “bestializada”, na acepção consagrada pelo historiador José Murilo de Carvalho. Pobre país...




 







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