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A lição de Mandela

Lier Pires Ferreira, advogado, professor do Ibmec/Cp2

Advogado e militante do Congresso Nacional Africado, Nelson Mandela (1918-2013) foi um líder revolucionário do povo negro sul-africano que ficou 27 anos encarcerado por lutar contra a política do apartheid implantada em 1948. Em 1990, foi libertado após uma forte campanha internacional, no momento em que o regime racista sul-africano dava nítidos sinais de esgotamento. Era de se esperar que após tantos anos no cárcere, Mandela liderasse uma revolução violenta que expurgasse as populações brancas e asiáticas da África do Sul, historicamente beneficiadas pelo domínio branco-europeu. Mas isso não aconteceu! Mandela tornou-se o líder da reconstrução sul-africana, mediando uma transição democrática do poder e pacificando os ódios latentes de uma sociedade há muito dividida.

O exemplo de Mandela é essencial para o mundo e, nesse momento, particularmente para o Brasil. Em 28/10 o país terá a mais importante eleição de sua recente história democrática, indo às urnas escolher entre Jair Bolsonaro e Fernando Haddad. Não é uma decisão fácil para grande parte dos brasileiros. O país encontra-se cindido entre as forças que se reúnem em torno da herança sociopolítica do Partido dos Trabalhadores (PT) e sua principal liderança, o ex-presidente Lula, e aquelas que se albergaram sob a figura do ex-capitão do Exército, Bolsonaro. Ao longo da campanha, múltiplas acusações, nem sempre falsas, nem sempre verdadeiras, foram perpetradas por militantes e apoiadores de parte a parte. O que alegam os campos em pugna?

Contra Haddad pesam os escândalos de corrupção que arrastaram algumas das principais lideranças petistas e de tantos outros partidos para a prisão, no contexto da Operação Lava-Jato. Além disso, os partidários de Bolsonaro identificam o PT e seu candidato como revolucionários comunistas que desejam implantar, aqui, regimes próximos aos que existem em Cuba e na Venezuela. Contra Bolsonaro pesa sua pouco-recomendável ficha profissional no Exército Brasileiro e uma longa carreira política marcada por inúmeras manifestações discriminatórias e de apoio à ditadura militar (1964-1985) e às práticas de tortura perpetradas por este regime. Além disso, Bolsonaro é frequentemente associado ao pentecostalismo fundamentalista e à extrema direita neofascista, cujos compromissos com a democracia e com a tutela dos direitos humanos são tão sólidos quanto um castelo de areia.

O cenário é nebuloso e o futuro absolutamente incerto. Mas o pulsar da democracia resiste nos corações e mentes de estudantes, trabalhadores, agentes públicos, jornalistas, professores, intelectuais, artistas e todo um amplo espectro social que, sem desconhecer os erros do passado, aposta na construção de um futuro próspero, no qual a democracia e a dignidade da pessoa humana sejam os balizadores de toda e qualquer ação pública. Para tal, Jair Bolsonaro e Fernando Haddad possuem uma grande responsabilidade. Quem quer que saia vitorioso das urnas terá que demonstrar a grandeza necessária aos grandes estadistas, pacificando os embates políticos, acautelando os excessos e desmontando as armadilhas do ódio. Mais do que um vingador, caberá ao eleito agir como mediador dos confrontos e um guia para novas práticas políticas que aproximem o Brasil dos objetivos inscritos em sua carta constitucional, a “Constituição Cidadã”. Oxalá que a lição de Mandela se faça presente também no Brasil.




 







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