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A política e seus paradoxos



O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, é um dos mais controvertidos líderes da atualidade. Fanfarrão e debochado, Trump venceu o pleito eleitoral de 2016 prometendo, dentre outros, construir um muro para isolar os Estados Unidos do México, desmantelar o Obama Care (sistema público de saúde que é o principal legado da administração Barak Obama) e fulminar a ameaça nuclear hoje representada pela Coreia do Norte.  Ultranacionalista, Trump foi eleito com base nos votos conservadores da elite branca, anglo-saxã e puritana (em inglês, WASP), bem como pelos grupos marginalizados pelo processo de globalização, em particular os desempregados do setor industrial. Mas Trump (ainda) não cumpriu suas principais promessas de campanha.

Muitos acreditam que quando a economia vai bem é mais fácil governar. Neste sentido, considerando que a economia estadunidense está em um momento positivo - o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu acima de 3% em 2017, a inflação está em patamares pouco superiores a 2% e o mercado de capitais (o Dow Jones cresceu aproximadamente 25% desde o final de 2016) está eufórico -, era de se esperar que a popularidade de Trump estivesse em patamares satisfatórios. Não é o que acontece!

Trump é o presidente com a menor popularidade e a pior taxa de aprovação desde que os institutos de pesquisa iniciaram esta avaliação nos Estados Unidos, há algumas décadas. Segundo o Pew Research Center, 59% dos norte-americanos desaprovam a gestão Trump. A situação é tão paradoxal – bons indicadores econômicos vs. baixa popularidade – que recente pesquisa do Grupo Rasmussen revelou que se as eleições nos EUA fossem hoje, em uma hipotética disputa contra a apresentadora negra de TV Oprah Winfrey, Donald Trump perderia as eleições com mais de 10% de desvantagem.

Guardadas as devidas proporções e especificidades, algo similar acontece no Brasil. A economia brasileira registra seus primeiros sinais de crescimento. O PIB cresceu aproximadamente 1%, a inflação anual ficou em patamares inferiores a 3% e o mercado de capitais registrou uma alta acumulada superior a 26% em 2017. Os números são positivos e deveriam conferir a Michel Temer avaliações confortáveis à frente do país. Nada mais falso! Pesquisa recém-publicada pelo Datafolha revela que 70% dos brasileiros desaprovam a gestão Temer. Por que isso acontece?

Como Donald Trump, Michel Temer vive sobre o fio da polêmica. O presidente herdou seu cargo após o controvertido impeachment de Dilma Rousseff. Com sua legitimidade questionada, em nível doméstico e internacional, Temer também apresenta fatos e propostas pouco palatáveis para a sociedade brasileira. Primeiramente, aqueles que foram às ruas pedindo a saída de Dilma por conta da corrupção, não encontraram alento no governo Temer. Da mesma forma, os que desejavam novos postos de trabalho formal ainda penam com as elevadas taxas de desemprego e com os efeitos deletérios de sua reforma trabalhista. Por fim, sua proposta de reforma da previdência parece ter o condão de desagradar a todos: os defensores criticam Temer por não conseguir aprová-la, enquanto os detratores o responsabilizam por promover o maior atentado contra os direitos previdenciários no Brasil desde que Getúlio Vargas universalizou a previdência.

O jurista italiano Menotti del Picchia (1892-1988) dizia que “a política é a arte de conciliar os interesses próprios, fingindo conciliar os dos outros”.  A frase é tão inspiradora quanto útil, Ela nos permite identificar um dos principais fatores que explicam a baixa popularidade de Temer: sua completa falta de sintonia com o Brasil!

Temer assumiu o poder ancorado no grande capital agrícola, industrial e financeiro, bem como nos ressentimentos profundos de parte da classe média com as políticas sociais-desenvolvimentistas dos governos Lula e Dilma. Este foi o seu “eleitorado”. Apartado de “metade” dos brasileiros, que sempre o rejeitaram sob a pecha de “golpista”, Temer vê-se progressivamente abandonado por aqueles que nas ruas ou nos bastidores afiançaram seu governo. Sofrendo com as dificuldades impostas por sua política ultraliberal e cientes de que a corrupção é endêmica, a classe média o vê com crescente desconfiança. Por seu turno, o grande capital começa a desconfiar de que Temer não será capaz de fazer as reformas compromissadas, em particular a tão almejada reforma da previdência. Impossibilitado de avançar, Temer submerge em mares enlameados.

Embora seja um político experiente, Temer hoje não parece ser capaz de conciliar interesses, quaisquer que sejam. Assim, aos trancos e barrancos, vai conduzindo seu governo e o próprio país... Contudo, ao contrário dos Estados Unidos, cujas próximas eleições estão distantes, haverá eleições no Brasil em 2018. Resta, então, uma pergunta: quem vai sustentar as bandeiras e projetos que permitiram a Temer alcançar a presidência da república? Quem viver, vera!

Lier Pires Ferreira – Professor do Ibmec/RJ e do CP2

 




 







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